Eurídice:
Diz que mulher tem alma de gato. Tem.
Diz que mulher tem alma de gato. Tem.
Existem momentos para o sim e para o não, que são os momentos de crise. Fora de tais momentos, o sim e o não constituem uma política de amador.
Alistado na Resistência, especialista em descarrilamentos, aproveita um período de inactividade para escrever Drôle de Jeu [...]
This evening Rondi laid on dinner for me in a small restaurant called Cesarina. Lizzani and his wife, Fellini and Giulietta Masina, Rondi, Lora and I. It was somehow very nice. I tried to telephone Moscow from there, but it was no good. The operator said the receiver was not in place in Moscow. Now I am back here: Lora booked a call for me, and I am waiting for them to ring. Maybe I shall be able to talk to Larissa after all.
[...] os seus óculos grossos, a sua pele de batráquio, aquele olho que se afasta de lado [...] Perguntávamo-nos porque não cuidava um pouco daquela epiderme defeituosa. Olhávamos as suas pequenas mãos que viviam e se agitavam no espaço. O sorriso não mostrava dentes perfeitos... Sartre não era um Adónis.
Transposta a porta do restaurante, Lacan imobilizava-se e despojava-se ostensivamente da capa ou do sobretudo de twill que estendia ao acaso a quem passava, ainda que fosse um cliente! Depois ficava à espera, com aquele ar profundamente aborrecido e preocupado que afectava quando não se ocupavam dele imediatamente, até que o chefe-de-mesa ou o gerente do estabelecimento se precipitava.
Então, com um gesto lasso e como se não conseguisse aguentar-se mais tempo de pé, Lacan apoiava-se ao acaso a um ombro, soltando num tom dolente: «Caro, onde me senta?...» O pessoal, certamente guloso das suas boas gorjetas, apressava-se a conduzi-lo à «sua» mesa, em toda a parte e sempre a melhor.
Mal se sentava, inclinava-se para mim, rodeava com o braço as costas da minha cadeira e, virando a cabeça para a sala, lançava numa voz de estentor: «Está bem, minha querida? Se não, vamo-nos embora!...» Todos os olhares convergiam para nós! Pronto: éramos as vedetas!
Falando em termos gerais, quem escolhe fazer arquitectura não precisa de "saber desenhar", muito menos de "desenhar bem". O desenho, entendido como linguagem autónoma, não é indispensável ao projecto. Muita e boa arquitectura se fez e se faz "à bengala".
Só que toda a gente pode e precisa de desenhar.
A obsessiva especialização atrofia capacidades universais; a alguns é permitido e imposto desenvolver umas tantas—e não outras. E no entanto, no respeito ao desenho, qualquer criança se exprime com frescura e rigor; e os inadaptados e os considerados loucos.
Os erros e a submissão de quem ensina levam a que de quase todos finalmente se diga: não tem "jeito". Ou a que os próprios o digam.
O desenho é uma forma de comunicação, com o eu e com os outros. Para o arquitecto, é também, entre muitos, um instrumento de trabalho; uma forma de aprender, compreender, comunicar, transformar: de projecto.
Outros instrumentos poderá utilizar o arquitecto; mas nenhum substituirá o desenho sem algum prejuízo, nem ele o que a outros cabe.
A procura do espaço organizado, o calculado cerco do que existe e do que é desejo, passam pelas intuições que o desenho subitamente introduz nas mais lógicas e participadas construções; alimentando-as e delas se alimentando.
Todos os gestos—também o de desenhar—estão carregados de história, de inconsciente memória, de incalculável, anónima sabedoria. É preciso não descurar o exercício, para que os gestos não se crispem, e com eles o resto.