domingo, 30 de abril de 2017
sábado, 29 de abril de 2017
We will not sleep, but we shall all be changed
Transhumanism offered a vision of redemption without the thorny problems of divine justice. It was an evolutionary approach to eschatology, one in which humanity took it upon itself to bring about the final glorification of the body and could not be blamed if the path to redemption was messy or inefficient. Within months of encountering Kurzweil, I became totally immersed in transhumanist philosophy. By this point, it was early December and the days had grown dark. The city was besieged by a series of early winter storms, and snow piled up on the windowsills, silencing the noise outside. I increasingly spent my afternoons at the public library, researching things like nanotechnology and brain-computer interfaces.
Once, after following link after link, I came across a paper called “Are You Living in a Computer Simulation?” It was written by the Oxford philosopher and transhumanist Nick Bostrom, who used mathematical probability to argue that it’s “likely” that we currently reside in a Matrix-like simulation of the past created by our posthuman descendants. Most of the paper consisted of esoteric calculations, but I became rapt when Bostrom started talking about the potential for an afterlife. If we are essentially software, he noted, then after we die we might be “resurrected” in another simulation. Or we could be “promoted” by the programmers and brought to life in base reality. The theory was totally naturalistic — all of it was possible without any appeals to the supernatural — but it was essentially an argument for intelligent design. “In some ways,” Bostrom conceded, “the posthumans running a simulation are like gods in relation to the people inhabiting the simulation.”
Meghan O'Gieblyn, Ghost in the Cloud.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
A vida como ela é
But then it occurred to me that perhaps this affable and entertaining gentleman was the person my father was always meant to be, or had possibly always been, albeit only with others. Children always imagine that their parents’ truest selves are as parents. But why? “No one truly knows his own begetting,” Telemachus bitterly observes, early in the Odyssey. Indeed. Our parents are mysterious to us in ways that we can never quite be mysterious to them.
Daniel Mendelsohn, A Father’s Final Odyssey.
terça-feira, 25 de abril de 2017
sábado, 22 de abril de 2017
sexta-feira, 21 de abril de 2017
Ai, as saudades que eu tenho de uma bela feirinha medieval
[...] intervenções urbanas, apresentadas como animação, ou revitalização, ou animação cultural ou outros termos a que associo alguns desastres: profusão de mobiliário urbano, incluindo bancos, banquinhos e vasos de flores de desenho torturado, esculturas esburacadas para as crianças brincarem, pistas de 'skate' nos sítios mais surpreendentes, luz eléctrica a mais (amarelo a sair das janelas e focos de projectores e as sombras correspondentes), concursos de 'graffittis' arruinantes, espectáculos musicais por todos os cantos, invasões de esculturas, fontes e mais fontes — e muito mais.
Álvaro Siza, 01 Textos.
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Tirante as belas senhoras e as belas colinas
Quando, vindo do Porto, aqui cheguei para estudar Direito no Campo de Santana, em 53, a cidade tinha pouco mais de um quilómetro, era quase uma aldeia. Andávamos habitualmente a pé, e sempre à roda do Rossio, em territórios belarminianos. A Estrela, o Parque Eduardo VII eram sítios já fora de portas. Aluguei um quarto na Avenida da Liberdade, mesmo em frente aos cisnes e aos ratos, ao lado das velhas senhoras da Buchholz, do Rilke e do Beguin, e da pastelaria Bijou que o O’Neill haveria de imortalizar.
Comia no antigo Tivoli, uma pensão familiar, não longe da mesa da Beatriz Costa. Estudava numa cave, entre bilhares, ao lado do Dona Maria e do café Gelo. Via ‘westerns’ no Coliseu, e fitas finas na geral do outro Tivoli, a 4 escudos o bilhete. Ceias, quando as havia, eram no velho Gambrinus. De raro em raro, viam-se filmes clássicos e pintores modernistas no Palácio Foz e novos pintores no Chiado. A faculdade era furiosamente cinéfila, por via dos católicos progressistas, os CCCs Bénard, Bragança, Tamen. Ao São Jorge e ao Condes ia-se nos dias de estreia, para namorar ou cobiçar mulheres inatingíveis. Uma em especial perturbava um amigo filósofo, Nuno Basto, e que nos parecia o próprio pecado. Anos mais tarde, já menos fatal, levaram-me a casa dela, a acompanhar um escritor maldito francês: era a Natália Correia. Os anos 50 eram os anos Cesariny. Em casa dos Portas, o Carlos, agrónomo, dizia-me os poemas dele de cor. Tirante as belas senhoras e as belas colinas, o Cesariny era a única coisa lisboeta digna de relevo. Em tudo o mais, a capital salazarista parecia-me mais retraída do que o Porto, mais longe de Europa. [...] Cineastas daqui, não conhecia nenhum. No Porto havia o Oliveira, a Agustina, o Andersen, o Távora, o Resende, o António Pedro do Teatro Experimental... o umbigo do mundo. Os meus heróis eram do Norte.
Paulo Rocha, início de um texto de homenagem a Fernando Lopes.
quarta-feira, 19 de abril de 2017
O retorno à memória — como quem, ao cair da noite, acende um candeeiro
— Que está a escrever actualmente?
— Poemas. Com rima. Compreende, já quase não vejo, já não posso escrever, e não posso fazer rascunhos. Em verso livre é mais difícil compor mentalmente [...] Ao passo que assim agarramo-nos à rima.
De uma entrevista a Jorge Luis Borges.
terça-feira, 18 de abril de 2017
Cinco estrelas
Reviewers fifty years ago were by today's standards extraordinarily tough. They said exactly what they thought, even about their most influential contemporaries. Listen, for example, to Randall Jarrell's description of a book by the famous anthologist Oscar Williams: it 'gave the impression of having been written on a typewriter by a typewriter.' That remark kept Jarrell out of subsequent Williams anthologies [...] Their praise mattered, because readers knew it did not come lightly.
Dana Gioia, Can Poetry Matter?
Request fulfilled
Noutro capítulo — mas com ligações espirituais a este —, recordo como a banda filarmónica destes arrabaldes respondeu às vozes críticas que pediam uma abordagem mais contemporânea* ao exercício: com uma versão desta música.
* Para falar a verdade, arredondei a reclamação: pedia-se, sim, que tocassem umas coisas mais modernas.
* Para falar a verdade, arredondei a reclamação: pedia-se, sim, que tocassem umas coisas mais modernas.
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Uma ode à natureza
Trabalho sobre a energia da matéria, sobre a natureza, sobre os elementos — a água, a terra, o fogo e o ar. Tenho um grande amor pela natureza. Trabalho sobre árvores, não sobre madeira. Nunca cortei uma árvore.
Alberto Carneiro, que nos deixou ontem mais pobres.



