sexta-feira, 19 de maio de 2017

Four fish in a tank

I stare at four fish in a tank in a supermarket. They are swimming in parallel formation against a small current created by a jet of water, and they are opening and closing their mouths and staring off into the distance with the one eye, each, that I can see. As I watch them through the glass, thinking how fresh they would be to eat, still alive now, and calculating whether I might buy one to cook for dinner, I also see, as though behind or through them, a larger, shadowy form darkening their tank, what there is of me on the glass, their predator. 
 Lydia Davis, The Collected Stories of Lydia Davis, 2009

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O que é o capital humano?

In essence, the idea of human capital wasn’t new. Adam Smith had pointed out long before how the skills and abilities acquired by workers (eg, training, education, etc) can add economic value to an enterprise. But Schultz had only recently become intrigued by the idea. He actively encouraged new faculty and PhD students to build a more robust and formalistic theory of human capital. Legend has it that Schultz suddenly grasped its importance after visiting an impoverished farm. He asked the threadbare owners why they were so content. Because they’d managed to send their children to school, they replied. It would guarantee a secure income for the family long into the future.
 Uma leitura interessante e essencial para compreender o nosso tempo, aqui.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Luz

Me veo existir a la luz de este mes de junio. Somos muy pobres, querida, le he dicho; pero nada, en este momento, vale nada al lado de esta irradiación del Ser, esta luz es nuestro pan y nuestro vino.
Ionesco, Diario; trad. Marcelo Arroita-Jauregui.

domingo, 14 de maio de 2017

Domingo no mundo (9)

Childe Hassam, O pequeno-almoço francês, 1910.

sábado, 13 de maio de 2017

A diva fumante

Maria Callas de férias em Ischia, em 1956, saboreando profundamente a passa.

Primavera

139.
a vida demora tanto
como um aguaceiro de inverno
diz Sôgi

144.
estará a toutinegra no arvoredo
a tentar adormecer o espírito
do gracioso salgueiro?
Matsuo Bashô, O eremita viajante.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

uma era anterior às gaiolas e aos domingos

estancou a chuva que de noite
não parou de cair

o laranja barrento das telhas
alinhadas sobre a janela e este azul subido
entre farrapos
deram à manhã uma inclinação
mirífica

dentro os periquitos tremem
de excitação e frio
gritam proposições de júbilo cosmogónico
narram uma era anterior às gaiolas
e aos domingos

apetecer-lhes-ia a fome que têm lá fora
as aves naturais

e não este almoço (uma coisa
em forma de assado) que alguém
vem preparando na cozinha

pôs-se um dia admirável nas ruas
perfeito para clichês:
tudo encharcado de brilhos
contraluzes arbóreas voos pombalinos
bustos reflectidos nas poças

cá dentro os casos
também tendem a lugares-comuns:
a cama desfeita a roupa largada
no chão

sobre o aparador o bule
que ontem serviu e outras loiças
a imitar uma tela de Morandi
a espessura de um vapor recente
na casa de banho

embaciada a fuligem deste espelho
sobre o lavatório

é o lago dos tisnes com que remato
o poema

perdoe o sensato leitor eu insistir
ali e aqui no gracejo fútil
Miguel-Manso, Persianas.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

De resto, os aguaceiros serão sempre uma possibilidade

Dave Heath, Washington Square, 1958.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Míscaros

Vento sul-sudoeste fraco; céu nublado. Tempo de míscaros. Matérias orgânicas que alastram nos muros e nos fossos, bolores negros, lodos, fungos, vidas persistentes, possuídas de uma animação vegetal crescendo sobre a decomposição, sobre a ruína, nos lôbregos refegos da terra, nos podres esconsos, nos charcos parados, debruados de lamas. Como míscaros, os homens parecem brotar na rua, ressumar das pedras, pardos e cor de azebre, cor de pão de rala, com as suas faces vazias, as mãos que são como raízes impregnadas de água.
Agustina Bessa-Luís imprecando, Contos Impopulares

terça-feira, 9 de maio de 2017

A shoddy replacement for any sophisticated understanding of history

Today’s constant talk of nostalgia – for old passport covers, old manners, old food, and above all that fantasy of a Britain before multiculturalism – is in part a response to rapid social change and feelings of insecurity. In part, it is what anyone who is growing older might feel, as their childhood becomes vividly distant. But these nostalgic images are a shoddy replacement for any sophisticated understanding of history – the complex story of the past, and the intricate forces that link the past and the present – and that is why we should be worried when politicians play the nostalgia card.
Simon Goldhill, Look back with danger.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Georgia on my mind *

Alfred Stieglitz: Georgia O'Keeffe, 1931.
* O trocadilho é fraco, mas a fotografia é muito bonita. E que lhe tenha sabido bem a limonada (suponho limonada), minha cara senhora: o que se leva desta vida é o que ao longo dela nos foi matando a sede.

Uma overdose de Pizarnik

The myth of Alejandra Pizarnik grows (...) because the strengths of her language, a few “solitary ladies, desolate,” resist the passage of time. These solitary, desolate ladies were words, which, in turn, were subjects for her. Each word a subject. Sleep, death, infancy, terror, night. She combined these subjects tirelessly with a great trust in language, which paradoxically ended up awaking in her the suspicion that her words had a mortal dimension and that perhaps the only thing they named was absence.
Enrique Vila-Matas sobre Alejandra Pizarnik, aqui.