sexta-feira, 14 de julho de 2017

Dinner at Kafka's

In 1923, Ben-Tovim visited Kafka and Dora Diamant in Berlin. She found them living in bohemian squalor, reading to each other in Hebrew and fantasizing about opening a restaurant in Tel Aviv, where Diamant would work in the kitchen and Kafka would wait on tables. “Dora didn’t know how to cook, and he would have been hopeless as a waiter,” Ben-Tovim observed.
Elif Batuman, Kafka’s Last Trial.

(Já estou a ver o corredor com a setinha «Sala de jantar na cave» e os comensais, kafkianos à força, a descer meia dúzia de degraus, curva à esquerda, a descer mais meia dúzia de degraus, curva à esquerda, a descer outra meia dúzia de degraus, etc..)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

domingo, 9 de julho de 2017

Domingo no mundo (17)

Georg Flegel, Natureza morta com waffles, séc. XVII.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Driving the Beat Road

“I know that young people are striving for change, but it seems like they don’t know how to rebel or what to rebel against. The ones I know don’t have the fire in them that makes them dislike things. Everyone is amenable,” McClure says. “We’re living in an electronic world of communications that ontologically doesn’t exist, where we’re all one-dimensional. They’d be happier if they found their inner life, but they can’t. This is a flashing world of passion, which can be a beautiful thing and a terrible one.”
O Beat Michael McClure sobre o nosso tempo, na excelente reportagem de Jeff Weiss para o Washington Post.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Moçoila com um cigarro

Petr Zabolotskiy, 1850.

Bird lives.

Bird lives.  
This epitaph, written in chalk and paint on sidewalks and in subway tunnels after Bird died, at thirty-four, has the ancient emotional grain of a mouldering Roman wall inscription. It is a classic human cry against finality. What might we leave behind that will cling to earthly memory?  
Don DeLillo,  para a Vertigo.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Guedes: o medo é uma cena que a ele não lhe assiste

Foi o caso agora de o nosso amigo Guedes, o Valente que se diz Pulido, ou ao contrário, vir anunciar uma grande nova. Abriu primeiro à cotovelada toda a massa literária portuguesa que disse ser uma farrapada de epígonos e de mediocralhada para os varredores municipais. E depois desta operação de limpeza, avançou ele. Mas como? Também escrevia romances? Ah, sim, evidentemente. Ele é que iria dizer como era. Ele é que sabia. Portanto um livro bom? Obviamente um livro óptimo. Literatura era com ele. Do lixo literário havia apenas um fragmento aproveitável. Mas não o entusiasmava. Ele é que conhecia a receita para um romance como devia ser.
Vergílio Ferreira, Conta-Corrente, Nova Série, Vol. II.

Simples

Uma casa é uma casa como uma rosa é uma rosa.
Armando Silva Carvalho & Maria Velho da Costa, O Livro do Meio,
Ed. Caminho.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

My place, Portugal, 2017

Central Park, New York, 1961.

O braço direito

Havia um desfile na rua em que se gritava: “Matem os judeus!” A minha maravilhosa mãe apressou-se a fechar as cortinas, mas o meu pai disse: “Pelo contrário, eu quero ver isto. Mon petit, isto chama-se História.” Que coisa incrível para me dizer! Nunca voltei a ter medo. Por outro lado, nasci com uma deficiência severa [no braço direito] e a minha mãe não me deixou ser canhoto. Para ela, a autocomiseração era algo repugnante.

domingo, 2 de julho de 2017

Higiene*

Quem escreve pode separar de si pela escrita a sua razão de ser infeliz.
Vergílio Ferreira, Conta-Corrente, Nova Série, Vol. II.

* Escrever e publicar são coisas diferentes; às vezes publicar é só mandar a água suja da purga janela abaixo para cima de quem passe.

Domingo no mundo (16)

John Sloan, Yeats at Petipas, 1910-4.