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| Vincent Van Gogh, Os telhados de Paris, 1886. |
domingo, 17 de setembro de 2017
sábado, 16 de setembro de 2017
Tomar conta
Apressando-nos para casa, o vento ostenta que não nos valeríamos ao relento se não fosse Verão. E, contudo, quem nos vale são pessoas que também não sobreviveriam ao relento, ainda que tantas o façam. "Nesta vida, não apenas temos mas somos os nossos corpos." Aço, cimento, tijolo, pele: fronteiras que o fogo ou a água facilmente arrasariam. Subindo a escada do prédio, vinda da rua, Mini, a caniche de um vizinho bombeiro, ladra como um cão de guarda ligado à electricidade. Não precisamos de saber como nos chamamos para tomarmos conta uns dos outros. Talvez tomar conta também seja andar equivocado sobre quem está próximo, conclusão contrária à nostalgia pelo tempo em que os vizinhos se conheciam bem.
Djaimilia Pereira de Almeida, Ajudar a cair.
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Sobre Tomas Tranströmer
There is little elaborate construction evident; rather, the sense is of the sudden arrival of what was already there, as when a whale comes up for air: massive, exhilarating, and evanescent.
Teju Cole, Known and Strange Things.
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Elogio da Demora
Os livros percorrem grandes distâncias. Há uma questão geográfica na circulação da literatura, uma questão de mapas e fronteiras, certos trajetos de percurso demorado. E talvez um pouco da qualidade dos textos esteja ligado a essa demora para chegar ao destino.
Ricardo Piglia, O escritor como leitor.
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
The idea was that people wanted to look at what other people like them were doing, to see their social networks, to compare, to boast and show off, to give full rein to every moment of longing and envy, to keep their noses pressed against the sweet-shop window of others’ lives.
John Lanchester, You Are the Product.
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Inner life
The imagination – whether pictorial or later linguistic – is especially good at emotional communication, and this might have evolved because emotional information drives action and shapes adaptive behaviour. We have to remember that the imagination itself started as an adaptation in a hostile world, among social primates, so perhaps it is not surprising that a good storyteller, painter or singer can manipulate my internal second universe by triggering counterfactual images and events in my mind that carry an intense emotional charge. Fantasy that really moves us – whether it is high or low culture – tends to resonate with our ancient fears and hopes. The associational mind of hot cognition – located more in the limbic system – acts as a reservoir for imaginative artists. Artists such as Edgar Allan Poe, Salvador Dalí, Edvard Munch and H R Giger can take controlled voyages to their primitive brain (an uncontrolled voyage is madness), and then bring these unconscious forces into their subsequent images or stories.
Stephen T. Asma, Imagination is ancient.
domingo, 10 de setembro de 2017
sábado, 9 de setembro de 2017
Microconto com zombies
Nos dias de votações importantes e decisivas reclamava-se o auxílio de algumas figuras, já recolhidas à tranquilidade da província, bispos, políticos velhos e reformados, que eram conhecidos na gíria da política por este nome pitoresco — as mulas de reforço.
Raul Brandão, Memórias.
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Ponto da situação entre o regicídio e a República
D. Luís Filipe era mais reflectido. Este é mais impetuoso — mas tem melhor coração.
Raul Brandão, Memórias.




